A Cidade dos Vampiros


    Libru Antiquu

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    Libru Antiquu

    Mensagem por Narrador em Dom Fev 16, 2014 4:41 am



    Eu não posso melhorar tudo que você criou e não o posso impressionar
    Com as coisas que eu vejo. Eu nunca lhe pedi muitos favores, eu nunca lhe pedi que fosse mais como eu.
    Eu seria tão egoísta para alterar a ordem? Eu seria um tolo por não segui-lo?
    Mas eu tenho a força para caminhar além de tudo aquilo que você tem,
    Eu não entrarei nos espetáculos de meu pai

    Chris Eberhardt, Os Sapados do Meu Pai


    "Estes vampiros eram corpos que saem das suas campas de noite para sugar o sangue dos vivos, nos seus pescoços ou estômagos, regressando depois aos seus cemitérios". As palavras de Voltaire demonstram a concepção do que a sociedade interpretava destas criaturas mitológicas que, durante a Idade Média influenciado pela crença da Igreja, confundiu-se com o Inccubus, demônios que atacavam mulheres sem eu período de sono e muito ligado àquelas que praticavam bruxaria. Um verdadeiro estudo somente seria levantado na primeira metade do século XVII pelo filósofo e antropólogo Alexandru Demetrius, responsável por desenvolver um dos maiores (senão melhor) acervos acerca de estudos destas criaturas mitológicas que transformariam completamente a História até então conhecida.

    Criaturas bestiais, vagando pelas noites na busca insaciável de sua Fome destruindo famílias inteiras na busca de saciar uma Fome infindável pela mera necessidade de se manterem “vivos” num mundo da qual não mais pertencem. Tão antigo quanto à própria humanidade os vampiros, criaturas demoníacas condenadas pela escuridão eterna pela maldição do próprio Deus, são alvos de temores que apavoram as pessoas das mais diferentes classes. Sejam elas meras superstições de uma sociedade subjugada pelas crendices para se manterem atados aos ideológicos políticos, sociais e econômicos da Igreja ou simplesmente tomados por temores de lendas mescladas a mitologias antigas oferecendo apenas um lado superficial de toda a verdade.

    Que os vampiros são predadores imortais que sobrepujaram a morte alimentando folclores e crendices populares ao longo do tempo isso é certo, mas o que realmente os fazem lendários e tão mitológicos? Certamente ficariam indubitavelmente surpresos em saber que os próprios Amaldiçoados não tenham um conhecimento sólido sobre seus primórdios, senão uma distorcida ligação à “Mãe Sombria” Lilith das quais alguns poucos mortais foram capazes de associar. Entretanto, a verdade é mais obscura do que realmente é... E certamente Alexandru Demetriu chegara nesse profundo contexto em seus últimos dias. O conhecimento provém dos mais antigos, aqueles que detêm as mais remotas histórias que ao longo do tempo se tornaram mitos dentro da própria mitologia por suas narrativas destorcidas que variavam para cada Casta de modo a sobressair seus membros e suas glórias, ocultando seus fracassos e temores.

    Toda e qualquer menção sobre a gênese é um tabu para todas as Castas. Entretanto alguns conhecimentos são comuns no que se diz à demasiada influência na História quanto à ascensão e declínio de impérios numa guerra oculta de modo a atingir somente seus objetivos pessoais. Não se trata de uma investida recente nos nascimentos dos Estados Nacionais européia, mas nos grandes impérios da Antigüidade desde a Mesopotâmia e expandindo-se para tantas outras regiões do mundo e instigando a guerras pelos seus domínios através da velha política.

    No entanto, nenhum império é tão nostálgico como Roma, e seu subjugo pelo Cristianismo foi gradativamente se tornando uma ameaça a toda Casta que, mesmo sob fortes embates ideológicos saberiam que não poderiam confrontar tão abertamente com a instauração da Santa Inquisição. A Idade Média fora o ápice das crendices acerca do vampirismo em razão das práticas heréticas que se tornariam ícones associado aos Amaldiçoados e que, de alguma forma, os levaram próximos demais da verdade oculta nas sombras daquela Idade das Trevas.

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    Re: Libru Antiquu

    Mensagem por Narrador em Dom Fev 16, 2014 8:09 pm



    A história da Família começa há muitos e muitos séculos atrás, talvez até milênios. Durante todas as minhas pesquisas – e isso envolveu muito, desde viagens ao norte africano até o encontro com criaturas tão antigas quanto à própria noite – jamais fui capaz de encontrar datas exatas ou indícios que me apontassem o âmbito cronológico no qual as primeiras castas vampíricas se erigiram. O que pude concluir, entretanto, foi o motivo do surgimento destes verdadeiros demônios noturnos através do cruzamento de relatos e acontecimentos históricos.


    ## UM BREVE HISTÓRICO DOS PRIMÓRDIOS
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    É verdade que houve uma Primeira Mulher, mas se era uma mortal, uma deusa ou até mesmo uma criatura, meus estudos foram incapazes de concluir. Alguns vampiros referem-se a ela como a Grande Mãe, enquanto algumas lendas dizem que ela seria a própria Lilith. Independente de sua verdadeira identidade, esta Primeira Mulher foi a mãe de todos os vampiros, a criadora destes demônios. Rezam as histórias que Ela teria criado os vampiros por motivos ambíguos: ao mesmo tempo em que queria preencher sua solidão da eternidade com filhos imortais e leais, também queria possuir vassalos poderosos através dos quais seria capaz de atormentar os homens.

    Se desde o início já existiam as três linhagens, isso não saberia dizer. Embora meus estudos apontem para uma primeira e única Verdadeira Linhagem, que teria, somente séculos depois, se separado nas outras Três, encontrei alguns fragmentos de história que relatavam que Lilith tivera três filhos. Estes homens foram seduzidos pelos encantos e pelas promessas de imortalidade e poderes intermináveis feitos pela Primeira Mulher, e selaram seus pactos em orgias sangrentas que resultaram em suas mortes e ressurreição como bestas noturna.
    As três linhagens que descenderam da Primeira Mulher e deram origem às modernas Castas Vampíricas são as seguintes: Strigoi, Vrykolakas e Vlokoslak, embora a existência desta última seja desconhecida por boa parte dos membros das outras duas Linhagens.

    Os Vrykolakas eram filhos da Primeira Mulher com grandes bestas predadoras, o que lhes conferiu toda a sua bestialidade e o instinto monstruoso que há tanto tempo fora perdido pelos homens. Eles eram os caçadores e os guerreiros entre os vampiros, os braços armados e poderosos da Família que eram responsáveis por derrubar e estraçalhar inimigos, assim como garantir o sustento dos mais fracos através da caçada. Os Strigoi, por sua vez, resultaram de orgias animalescas entre a Primeira Mulher e antigos feiticeiros, que impregnaram a carne destes não-vivos com sua feitiçaria profana transformando-os em deuses sensuais e perigosos, capazes de seduzir homens e mulheres com um olhar e derrubar ou erguer nações com uma palavra.

    Entretanto, embora fossem guerreiros e caçadores perfeitos, a proximidade dos Vrykolakas com o Animal Interior lhes deturpara a razão, transformando-os em bestas sanguinolentas com pouco controle ou visão de sobrevivência. Simultaneamente, a beleza e a perfeição dos traços dos Strigoi serviam como máscaras para a sua grande corrupção interna: seus espíritos eram quebrados e imperfeitos, tornando-os vampiros perigosos e, muitas vezes, lunáticos. Tais características destas duas Linhagens impediam que houvesse equilíbrio entre os vampiros, e o fardo da liderança recaiu, portanto, sobre os Vlokoslak.

    A origem da Terceira Linhagem talvez tenha sido um dos maiores mistérios que não consegui resolver. Tudo o que sei é que os Vlokoslak foram os primeiros entre os filhos da Primeira Mulher, os mais velhos e os mais sábios. Embora seus corpos não fossem perfeitos como os de seus irmãos Strigoi, nem suas capacidades para a caça e seus instintos não fossem tão afiados como os dos Vrykolakas, os Vlokoslak eram incrivelmente sábios e detentores de uma capacidade inata de desvendar a realidade. O relato de um antigo ancião Strigoi apontara que os Vlokoslak eram, inclusive, capazes de conhecer o futuro através da observação dos astros e do comportamento do ambiente à sua volta – mas, independente de suas capacidades, o que importa dizer é que eles tornaram-se os grandes líderes da Família quando a Primeira Mulher desapareceu.

    No início, o governo dos Vlokoslak era incrivelmente direto e capaz, sabendo balancear as falhas de cada Linhagem com as forças da outra. A Família logo se tornou sólida e unida, trabalhando junta para manter a hegemonia e supremacia vampírica entre os homens e até mesmo sobre as outras criaturas sobrenaturais que permeavam o mundo. Entretanto, como parece ser inerente aos poderosos, a perspectiva do comando eterno e a infinita sabedoria da Terceira Linhagem pareceram corromper os integrantes desta: por algum motivo eles passaram a acreditar que estavam acima de seus irmãos mais jovens, e não mais os viam como seus semelhantes. Se antes os vampiros caminhavam entre os homens como deuses noturnos, agora os Vlokoslak caminhavam entre Strigoi e Vrykolakas como os seus deuses, exigindo que seus irmãos mais jovens se submetessem aos seus caprichos e lhe fizessem inúmeros sacrifícios.

    Embora não tenha encontrado o motivo pelo qual os Vlokoslak teriam chegado a este ponto, indícios me apontaram que eles tornaram-se viciados no sangue de seus próprios irmãos. Enquanto Strigoi e Vrykolakas alimentavam-se de homens e mulheres, Vlokoslak passaram a caçar, aprisionar e até mesmo destruir seus próprios irmãos mais jovens para saciar suas vontades de saber e seus impulsos de adoração nefasta. Durante algum tempo os vampiros aceitaram isto, pois viam seus irmãos mais velhos como seus líderes por direito e que, como eram os mais sábios, tinham o poder e a razão para fazer aquilo que faziam. Só que como em toda sociedade, a exploração das classes mais baixas sempre leva às insatisfações e revoltas, e não demorou até que a resposta das outras duas Linhagens chegasse.


    ## INSURRECTIONE AT SANGUEN
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    O que ficou conhecido como a Grande Caçada foi o extermínio da Terceira Linhagem. Contam os relatos que, pela primeira vez, Strigoi e Vrykolakas uniram-se por vontade própria, sem precisar da liderança dos Vlokoslak, porque tinham um inimigo e um objetivo em comum. Ambas as Linhagens haviam chegado ao limite da tolerância com os caprichos de seus irmãos mais velhos, e seus anciões acordaram em juntar suas forças para destituir do poder da Família seus irmãos corruptos. Se os Vlokoslak sabiam o que os aguardava eu não saberia dizer, mas muitos deles foram destruídos pelas garras e presas de seus irmãos bestiais e queimados e desmembrados pelos servos de seus irmãos sedutores.

    Este foi o fim da liderança da Terceira Linhagem sobre os vampiros, embora os problemas tenham persistido. Embora os Vlokoslak haviam sido extintos (ou ao menos acreditava-se nisso) e seus caprichos sanguinários haviam acabado com eles, não havia mais a sábia liderança e poderosa capacidade de equilibrar e apaziguar os ânimos entre as Feras e os Sedutores, e as Duas Linhagens restantes novamente entraram em desacordo. Sem a intermediação de seus irmãos mais velhos, Strigoi e Vrykolakas entraram em um embate entre si, dizimando boa parte das duas Linhagens.

    Esta Guerra teve um fim, entretanto, antes que os vampiros fossem capazes de exterminar a si mesmos. Dizem que os anciões de cada Linhagem reuniram-se e formaram um poderoso pacto, formalizando a instituição da Família. Sozinhos suas chances de sobreviver à evolução dos homens eram quase nulas, mas trabalhando juntos seriam capazes de continuar com sua supremacia. As Bestas continuariam sendo o braço armado da Família, espreitando nos campos e nas florestas e garantindo que todos temessem aos não-vivos. Eles foram os responsáveis pelo surgimento da grande maioria das lendas e histórias. Enquanto isso, Strigoi infiltravam-se em todas as camadas das sociedades mortais, influenciando cafetinas, barões, duques e reis. Através de suas palavras guerras eram travadas, homens eram executados e tréguas eram seladas. Eles assumiram para si o fardo da liderança da Família, pois eles eram os mais capazes de garantir que os vampiros não fossem exterminados pela Humanidade.

    Esta nova formação da Família resultou na criação das Castas. A terminologia Linhagem foi a bastante tempo colocado em desuso, sendo substituída pelo conceito de Casta: pois cada uma das duas linhagens acabou por desenvolver ideologias e religiões próprias, o que resultaram na criação do sistema de castas. A proximidade dos Strigoi com as fileiras da humanidade resultaram em um reflexo negro da aristocracia humana: estes vampiros enxergavam-se como nobres, assumindo títulos de nobreza e adotando os costumes de seus equivalentes entre os homens. Eles passaram a ver-se como os Senhores da Noite, adotando para si a idéia de que Deus os havia dado o papel de predadores em Seu plano, e que a Eles cabia somente a maldade. Era do desejo divino que os vampiros existissem para lembrar aos homens do mal, para que eles continuassem a ter fé.

    Simultaneamente, a proximidade dos Vrykolakas com os povos bárbaros e com as civilizações menos desenvolvidas lhes resultou na absorção de práticas opostas. Os vampiros bestiais adotaram os hábitos da vivência em grupo, como semelhantes, sem um único homem a ditar-lhes regras ou leis. Vivendo em bandos, o mais forte assumia o papel de líder, mas o seu papel era somente o de inspirar e guiar, enquanto as decisões eram sempre tomadas pelo grupo inteiro. Quanto à religiosidade, os Vrykolakas prenderam-se à idéia de adoração da Primeira Mulher, erigindo rituais macabros e bárbaros em sua homenagem para glorificar sua existência e o presente que ela lhes dera.


    Última edição por Narrador em Dom Fev 16, 2014 8:41 pm, editado 1 vez(es)
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    Re: Libru Antiquu

    Mensagem por Narrador em Dom Fev 16, 2014 8:15 pm



    Assim como toda cidade Carthagian possui suas histórias, as suas lendas e mitos. Esses “horrores” influenciaram na cultura da sociedade. As lendas que mitificam Carthagian está acerca de lobisomens e vampiros, influenciando nas gangues locais que utilizam de diversos brasões, simbologias e outros objetos místicos, assim como a bruxaria antiga. Tudo isso é resultado do que historiadores da cidade chamam de “Brumas de Sangue”, período que caracteriza os adventos de 1730-35.


    ## A LENDA DESMITIFICADA
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    Esse período, nos estudos históricos dos mortais, ou Normus, trata como um movimento revolucionário, uma insurreição camponesa que coincidia com a tomada de campos pela burguesia para os primeiros passos de industrialização da cidade, provocando movimentos intensos nos campos com muitas mortes. A discussão gera inúmeras teses, baseando-se em concepções marxistas na questão de lutas de classes do operário e proletariado para justificar o movimento, sendo um dos inúmeros ensaios revolucionários que amadureceria com a Revolução Francesa em 1789.

    A verdade por trás disso, “mascarando” a verdade por trás dessas insurreições tão discutida nos meios acadêmicos – claro que por intermédios da Família que busca cada vez mais manter os Normus longe da verdade que foi a “Bruma de Sangue” de 1730-35. O que realmente houve foi uma proliferação de vampiros pelos Abraços demasiados. Sem o controle da situação os ataques passaram a ser maciços, e num período onde a Igreja detinha certo poder a Inquisição se fazia presente, era um risco aos segredos da Família. O evento de Languedec foi um marco na tragédia da Família.

    Através de um Conclave realizado na cidade de Praga em 1733, as leis da Família foram mais uma vez reforçadas, discutindo-se sobre os Abraços que estariam ocorrendo de maneira irresponsável e que colocavam a Família semelhante ao que houve na Corte Cátara e permitiu a Igreja um breve conhecimento sobre sua existência. A concepção de “mascarar-se” mediante a sociedade era uma medida há muito tomada pela Família, não sendo tão imposta como seria naquele momento.

    Estabeleceu-se, com a presença dos mais influentes líderes das principais cidades européias do período que nenhum Abraço seria permitido sem uma formalização junto ao seu Priscus, sendo que a permissão seria dada formalmente pelo Regente na Corte – em alguns casos já liberado pelo Priscus da Casta, ou bando. O Abraço sem a permissão estaria sujeito ao sacrifício do Infante, e em alguns casos também do Sire. As “Brumas de Sangue” caracterizou-se pela forte presença de Bastardos, Diablerie. Qualqul aquele que conceder o Abraço e abandonar, sendo descoberto, seria executado.

    A partir de 1734 essa guerra à margem daquela acreditada pelos Normus ganhou força, com Guardiões contendo a anarquia crescente e as mortes de diversos camponeses. O conflito ganhou proporções trágicas envolvendo o território Lycan e dando início um conflito sanguinolento – que aparece em algumas teses acadêmicas sustentando os mitos e lendas urbanas de Carthagian, sobretudo no Vale Verde. De modo garantir a sobrevivência das duas espécies, um acordo de coexistência foi criado, garantindo territórios do vale para os Lycans que existia desde tempos remotos. Behruz, então um dos conselheiros Vrykolakas foi o representante da Família. Seria permitido aos Lycans a caça de vampiros que invadissem seu território, alémd e passagem livre no centro comercial da cidade desde que não apresentasse ameaças à Família – uma vez que muito de suas famílias viviam no centro da província. E de modo a garantir a sobrevivência destes, criaram uma trégua e lutando ao lado da Corte na disseminação dos Bastardos, além da luta contra a presença de Inquisidores que se mostraram presente no evento e sendo também uma ameaça a Tribèin.

    Em 1735 a guerra chegava ao fim, e o status quo estabelecido. O evento acabaria por se tornar um dos grandes marcos históricos da cidade, diversas obras artísticas e literárias – ajudando na inspiração de uma obra irlandesa.


    ## OS TABUS NORMUS
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    Os estudos de Alexandru Demetrius foram iniciados em razão de uma pandemia de vampirismo ocorrido entre os anos de 1730-35 em diversos Estados europeus. Embora o acontecimento tenha sido demasiadamente relatado, foi convenientemente esquecido, tornando-se parte de um folclore e alimentando a lenda acerca dos vampiros mais direcionados para a então crença cristã de Inccubbus que verdadeiramente sua gênese. A ação da Igreja fora imediata, utilizando a Santa Inquisição como meio de reprimir essa ação herética e contendo parte dos estudos do próprio Demetrius que, por intermédio de alguns nobres, não foi condenado também por heresia em razão de suas pesquisas.

    Com a Igreja perdendo sua força e influência ao longo do século XVIII, o que Demetrius chamou de Aera Sanguen foi tratado por diversos reformistas e outros intelectuais como uma mera “ação justificável contra a apostasia que tomava a sociedade cristã”, além de ser uma iniciativa de “extinguir o malefício que corrompia os homens de bem”. Entretanto, as revoluções ocorridas na segunda metade se encarregaram de apagar esse fato da historiografia mundial, tornando-se apenas assuntos corriqueiros de folhetins (jornais da época) até serem simplesmente esquecidos.

    É interessante ressaltar que suas pesquisas serviriam de base para diversos estudos e uma nova perspectiva quanto à lenda de vampirismo e sua fuga de similaridade com Inccubus da concepção cristã. Para Alexandru a gênese tem sua fundamentação ainda na Antigüidade, mais provavelmente na Suméria e na Mesopotâmia – ainda que afirmasse que a história poderia partir ainda nos primórdios da humanidade a partir da lenda hebraica de Lillith, aquela que seria verdadeiramente a “mãe” de toda humanidade e amaldiçoada por Deus. A associação está ligada com a lenda mesopotâmica de Lamastu (ou Lamashtu), um demônio que caçava nas noites e estar associado à imagem de uma mulher, muito proeminente em alguns textos Judeus ligando à Lilith.

    Segundo manuscritos antigos reunidos por Demetrius, Lillith era tanto uma predadora como também reunia habilidades de persuasão, seduzindo homens que ou sucumbiam à sua sede de luxúria levando-os à morte ou simplesmente os deixavam doentes o suficiente para sustenta o mito de Succubus. Uma crença da Era Medieval sustenta que aquele dotado de um amuleto que contivesse o nome dos três anjos (Sanvi, Sansavi e Samange-laf) estaria protegido contra a ira de Lillth. As similaridades com Lilith estendeu por folclores de várias culturas: na Grécia Antiga associando-a a Lamia e à Baobhan, do folclore celta, na Índia com Rakshasa e Vetal.

    Contudo, foi no leste europeu que melhor encontrou fontes que assimilassem á concepção de Inccubus na sustentando pela cristandade do ocidente pelos Vrykolakas e os Strigoi. Relativizando as duas espécies, Alexandru constatou, através de suas pesquisas e estudos anteriores, tratavam-se de mortos sucumbidos à maldição de Lilith, fosse pela sua luxúria, como os Strigoi, ou os “adoecidos” que gradativamente perdiam sua essência humana, como os Vrykolakas. Ambos eram criaturas amaldiçoadas, mas diferenciando-se de o primeiro, tomado pela paixão e desejo da Mãe Sombria, após saciarem sua Fome teriam novamente as características que permitiriam misturar-se aos mortais, diferente do segundo que foram abandonados e definharam gradativamente a ponto de sua humanidade ser corrompido o suficiente para denegrirem suas imagens.

    Por pouco mais de 20 anos Alexandru Demetrius pesquisou sobre a genealogia dos vampiros, desenvolvidos estudos que promoveu inclusive a ira do cristianismo devido a sua exumação de corpos para estudos que o levou a ser acusado de heresia em razão da cientificidade de seu conteúdo para sustentar as teorias acerca dos Strigoi e Vrykolakas. Muitos relatam que as pesquisas se tornaram uma obsessão para Alexandru, levando a isolar-se em sua propriedade até desaparecer em 1759. Não existe qualquer confirmação sobre o paradeiro de Alexandru desde aquela noite de Todos os Santos.

    O estudo pela genealogia dos vampiros havia se tornado uma obsessão para Alexandru Demetrius, dedicando-se um pouco mais de duas décadas em busca de todo e qualquer vestígio que pudesse levá-lo compreender essas criaturas profanas. A violação de uma tumba por pouco não o levara aos tribunais da Santa Inquisição por defender a cientificidade de suas teorias descoberta no Leste Europeu acerca daquilo que chamou de Linhagens Strigoi e Vrykolakas. A sua condenação somente não fora aprovada pela intervenção de um influente nobre da província austríaca chamada Carthagian.

    O nobre Lothar “O Magnífico” era grão-duque da Casa Habsburgo, sendo o regente da pequena província de Carthagian. Entretanto, estava em Viena quando teve conhecimento de Demetrius, As acusações sobre ele quanto às suas “heresias” chamaram a atenção de Lothar, sobretudo quando aquele homem apresentou fundamentos sólidos suficiente sobre a Genealogia da Família e teorias acerca das linhagens e despertando total interesse pelos documentos da qual reunira. Desde então ofereceu sua proteção, desde que o mantivesse informado acerca do desenvolvimento dos trabalhos e pesquisas, mas mantendo todo o processo em total sigilo.

    A discrição de Lothar para com Demetrius era somente uma razão: divergência política. A atmosfera política em Carthagian não estava favorável à sua regência, e nada era relacionado á sociedade mortal da província e sim coma Corte da Família dos próprios Amaldiçoados da qual Alexandru tanto buscava reunir as respostas. Lothar era Príncipe desta Corte, um prestigiado e renomado Membro da Casta Strigoi. Ou ao menos era até abdicar sua Linhagem e reunir-se à Irmandade de Nod na busca do Primórdio, da genealogia das Castas, ou Linhagens como assegura Alexandru Demetrius. Entretanto, nem mesmo os Membros da pequena casta tinham conhecimento da relação de Lothar com o mortal.


    ## A ASCENSÃO DO CONSELHO
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    No ano de 1850 a cidade sofreria um novo baque, sendo não necessariamente na sociedade Normu, mas restritamente à Família. Conflitos na Corte provocaram forte instabilidade em sua política. Lothar, O Magnífico, como era reconhecido o Regente da família Habsburg, após quase seis décadas frente a Corte dera início uma crise. A tensão se tornara crescente, com intrigas e conspirações nos corredores do poder ganhando proporções excepcionais que resultaram em seu desaparecimento e inúmeros suspeitos que eram alimentada pelo veneno das Primas, as mexeriqueiras da Corte.

    A Corte de Carthagian estava imerso em intrigas e conspirações. De um lado estava os Strigoi, descontentes com a perda de influência política e social de Carthagian e sendo submetido às inúmeras restrições políticas em pró da Irmandade de Nod e se tornando alvo de chacotas da Casta Vrykolakas quanto “à perda de privilégios da realeza”. Entretanto, estes tão logos conflitaram com a política de Lothar devido às caçada aos Membros de seus bandos por “infração de territórios” até então pertencentes aos Vrykolakas. As conspirações contra Lothar cresciam na Corte, gerando tensão nas Convenções das Castas e surgindo inúmeras ameaças veladas que resultaria na suspeita morte de Lothar na Sala do Trono de <nome do palácio>.

    Diversas coincidências ocorreram na madrugada em que Lothar fora morto em sua sala. A convocação de Behruz, líder dos Vrykolakas havia sido convocado pelo próprio Regente a se apresentar diante da Corte para um julgamento pela violação das Tradições e pelo ataque em suas propriedades infringindo a demarcação de território até então pertencente à Casta. Não haveria a participação da Convenção no julgamento, uma vez que a mesma havia sido dissolvida por Lothar uma noite antes que irritara sobretudo os Strigoi pela perda de voz política na Regência de Carthagian. Mesmo a Irmandade de Nod voltava-se contra Lothar ao desmascará-lo quanto ao ataque e documentos encontrados na carruagem até então enviados por Alexandru Demetrius que se perderam naquela fatídica noite de Todos os Santos, quando sua carruagem foi atacada a caminho de Carthagian em meio ao Vale Verde. A viagem revelaria a Lothar a fatídica descoberta acerca dos Primórdios da Família e uma genealogia oculta que envolvia a própria Carthagian. Porém, o Regente jamais a recebeu.


    ## O SEGREDOS DOS PRIMÓRDIOS
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    Em seu diário Alexandru Demetrius fazia inúmeras anotações acerca de suas pesquisas. Consta naquelas páginas os primeiros registros acerca dos Strigoi e Vrykolakas, dos mitos acerca das linhagens no Leste Europeu da Era Moderna com as lendas medievais da Mãe Sombria Lillith com o talismã dos três anjos. Entretanto, foi um pingente antigo encontrado em uma de suas exumações que quase o condenaram que chamara sua atenção: um crucifixo de característicos dos Bálcãs com a inscrição de duas linhagens que encontrara e um terceiro até então desconhecido: Vlokoslak.

    Não existe uma genealogia dos Vlokoslak, nem mesmo existe qualquer menção nos documentos antigos encontrados por Demetrius. O mais próximo conhecimento obtido tinha similaridade com as duas linhagens da qual já estudava, exceto por algumas particularidades não existentes nos Strigoi e Vrykolakas: Auspícios. A mitologia dos vampiros nos Balcãs era diferenciada num aspecto mais “psíquico” dos vampiros, além de uma resilência mais abrangente que permitiam suportar o dia e não causando um frenesi como daqueles das lendas ainda que as exposições diretas ao sol os matassem.

    Embora não houvesse registros oficiais como das outras linhagens, as inscrições no crucifixo balcânico indiciavam uma escritura suméria, da qual Demetrius identificou similaridade com conceito de “Clã”, assim como identificava para os Strigoi e Vrykolaska. Não somente isso ele identificou que estes eram subjugados pelo primeiro, sendo os escolhidos para os ritus. As informações se perdem, vindo encontrar uma simbologia de guerra oculta no ano de 2500 a.C. Toda e qualquer inscrição depois desse século não havia qualquer referência para os Vlokoslak.

    Caso suspeitas estivessem certas sobre aquela leitura vaga, aquele “clã” havia sido extinto num conflito velado há milhares de anos, possivelmente pelas duas outras famílias que ao longo daquele tempo reinou no antigo Império Sumério antes de um cisma que os levariam estabelecer-se em Rima (Strigoi) e Grécia (Vrykolakas), fontes dos conhecimentos das duas linhagens conhecidas. O que Demetrius pudera concluir é que havia uma terceira Linhagem de vampiros, mas que esta não haveria de ter sido realmente extinta devido aos vestígio na Idade Média encontrada acerca de suas lendas nos Balcãs.

    O conhecimento de alguém na busca da genealogia da Família é preocupante, sobretudo quando em sua persistência consegue informações que revelem suas identidades quando almeja deixá-la escondida nas sombras. Embora estejam em completa desvantagem em relação aos seus outros “irmãos” os Vlokoslak sabem que possuem vantagens que os limitam em sua caçada. Não eram eles os verdadeiros herdeiros da Mãe Sombria que há muito os subjugara? Um dia foram caçados quando buscavam ser o equilíbrio entre as duas Linhagens, agora seriam eles os caçados e era preciso deixarem acreditar que haviam sucumbindo a mais pura Linhagem.

    Os olhos recaíam sobre a Irmandade de Nod, tão sedentos pela “verdade” oculta que acreditam se esconder no passado. Os Antigos muito favoreceram em sua ocultação ao longo dos séculos, apagando todos os vestígios de existência da terceira Linhagem e deixando a Prole ignorante quanto aos Primórdios. A razão era desconhecida até pelos Vlokoslak, mas não importava sobre que propósitos mantinham aquele segredo. Embora despertasse o interesse daqueles que ousavam ser uma terceira “Casta”, a maior preocupação recaiu sobre um mortal tão sedento em reunir uma genealogia de lendas superficiais de uma crendice popular... Até encontrar em escrituras cuneiformes Sumérias a ligação dos “clãs” do Império. A Igreja não respondera aos seus anseios, e permitiu que Lothar, um Strigoi tivesse parte de conhecimentos que seus “irmãos” da Irmandade jamais alcançaram.

    Por século se mantiveram ocultos, e pela primeira vez em milênios sentiam-se ameaçados. Uma nova Grande Caçada poderia surgir, e era preciso destruir aquele que viria revelá-los. Porém, mesmo aquele que representava uma ameaça também oferecia aquilo da qual julgavam há muito perdido. Até onde aquele mortal haveria chegado para alcançar tamanhos segredos? Mais do que saber daquela linhagem era apontar o destino do mais predestinado Membro da Linhagem Vlokoslak, apontando todas as direções para a pequena província austríaca de Carthagian.

    Uma fuga no meio da noite, a carruagem quebrando o silêncio nas ruas de pedras alcançando o caminho de terra. Uma corte meio a intrigas e conspirações instigadas pelo veneno de Harpias que apenas alimentavam uma eminente guerra. As respostas de Demetrius quanto aos Primórdios, há muito buscado pela Irmandade de Nod, estavam prestes a ser de seu conhecimento se não fossem os malditos Vrykolakas em atacar aquela carruagem. Os documentos que o mortal traia revelariam sua traição às Tradições e à Irmandade, e os Strigoi seriam os primeiros juízes de sua punição como principais membros do Conselho. A dissolução fora uma atitude desesperada, criando verdadeiramente piores inimigos.


    ## CONCLUSÃO...
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    Tantos acontecimentos coincidiram com o surgimento de uma terceira Linhagem. Os Vloskolak era uma linhagem considerada extinta pelos antigos, com seu nome sendo um tabu para a Família, vindo a surgir no momento mais delicado na política da Família. Os pecados de seu passado foram jogados, revelados a alguns poucos, e em 150 anos não são aqueles de maior representatividade na Família, sendo pouco presente na Corte – e nem mesmo conhecido em outras, sobretudo nas americanas. São aqueles que despertam repulsa pelos Strigoi e Vrykolakas, e indiferença pelos Hereges da irmandade de Nod que apenas os vêem como forte Libru Antiquu sobre os Primórdios que tanto anseiam descobrir.
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    Re: Libru Antiquu

    Mensagem por Narrador em Dom Fev 16, 2014 9:11 pm



    Carthagian... o clima que esta cidade emana é simplesmente excepcional! Quando aqui cheguei com uma Corte mergulhada em seus conflitos internos de intrigas e conspirações pensei que ela não seria diferente de tantas outras Cortes que conheci na Europa - naquele tempo de 1850, pois hoje aquelas existentes na América conquistaram uma posição proeminente na Família. Porém, devo dizer que o termo ‘Corte’ não se encaixe tão bem como nas sociedades européias ainda com seu conservadorismo e seguindo velhas tradições. Embora eu aprecie esse classicismo europeu, a liberdade das terras além do Atlântico não deixa de me fascinar.

    Em seu aniversário de 275 anos de fundação, assisto hoje uma cidade urbanizada e industrializada onde mistura arquiteturas antigas com seus castelos e palácios, de quando Carthagian ascendeu como Província e parte de um dos grandes impérios europeus, aos modernos arranha-céus, símbolo de poder dos tempos modernos. Os normus nada percebem, mas o mesmo clima de tensão que cresce hoje na Corte de Carthagian ouso dizer ser o mesmo daquele que surgia há 155 anos neste mesmo hall do St. Davie Elysium - um teatro acústico para a apresentação dos mais célebres tenores europeus, e também o centro da Corte da cidade - com a mesma questão dos eventos que marcaram a história da Família em 1730...



    ## REUNIÃO DO CONSELHO, 1734 | A proposta de paz
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    Creio ser desnecessário comentar que essa primeira decisão não agradaria muitos daqueles presentes no Conselho. Um destes seria o próprio Hammërstein que sempre defendeu a idéia de que ele deveria ser o Regente da cidade e responsável pela fundação da Província. É verdade que seu pequeno castelo é a mais antiga construção da cidade, mas suas estadias eram raras. O seu interesse no vilarejo era apenas um ducado, conseguindo esta enquanto seus crescimento se deu por interesses proprcionado por Lothar como membro da monarquia, e sua escolha como Regente foi concedida por um Conselho em Viena - com uma diferença de três votos a seu favor somente.

    Como Regente neste período digo que Lothar foi realmente ‘’Magnífico’, pois não favorecia demasiado sua Casta como tantas outras que conheci e nem era tão indiferente aos Vrykolakas como se esperava ser. A sua relação com a Irmandade quando todos se mostravam intolerantes àqueles Renegados, Lothar não se mostrava tão indiferente, pelo contrário. Ele já mostrava um interesse discreto naquela organização. O reconhecimento da Irmandade junto à Corte já era algo que Lothar planejava, e aconteceu mesmo após sua queda. Neste momento, no entanto, seu interesse era evitar uma dissolução na mais nova Corte européia, e Behruz era parte disso.


    ## REUNIÃO DO CONSELHO, 1734 | O acordo com os lycans
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    A aliança com os Lycans não agradara parte do Conselho. Nikolai Ivanovitch, o Nosferatu, ão aceitando os termos optou por sua saída do conselho. Barthos, por outro lado, embora não aceitasse buscou ridicularizar Behruz o quanto pôde até também cair. Não sei bem como aconteceu, mas o que chegou ao meu conhecimento é de que ele estaria envolvido nas conspirações que visava a anulação do acordo exatamente com a violação dos territórios. Houve Vrykolakas punidos, dentre eles o próprio Barthos que encontrou seu fim. Nikolai isolou-se e dizem que criou sua Corte (medonha) particular e bem mais informado do que se pode imaginar. Por mais que suas aparições sejam raras - e confesso agradecer isso, pois assisti-lo me dá repulsa! - não existe nada que seja uma novidade para ele. Há quem diz que ele esteve na Corte na noite que Behruz fora nomeado o novo Regente e estabeleceu uma regência de coalizão junto a Hammërstein. O Srigoi conseguiu o que queria... não como gostaria, mas conseguiu ao que sempre almejou.

    Antes, porém, desta noite de júbilo, o mesmo salão que ascendia os Priscus Vrykolakas e Strigoi, dias antes o Conselho estava dividido, e não como pouco mais de 100 anos antes. Se naquele momento Lothar se mostrava magnífico em sua liderança, nos últimos se mostrara ‘medíocre’. Nos 100 anos de paz estabelecido as novas Tradições que incluíam a Máscara - resultados dos eventos de 1730-35 - Lothar surpreenderia a todos com sua proposta de reconhecimento da irmandade, uma organização de vampiros à margem da Corte e a quem ele mostrara interesse nos últimos anos. Ao longo dos 15 anos que se seguiram foram marcadas com a alienação de Lothar com as problemáticas da Corte que incluíam até mesmo a violação de alguns termos do acordo estabelecido com os Lycans - a cidade se industrializava, os campos eram cercados e fábricas erguidas, a cidade crescia e avançava em direção ao Vale Verde. A sua abdicação da casta e afiliação à irmandade atingiria com força o orgulho dos Strigoi, mas nem mesmo os Vrykolakas seriam menos atingidos. Estes seriam acusados de ataque a uma carruagem com brasão da família de Lothar e impedindo o Bando na Corte e julgar o próprio Priscus por ‘ocultar os responsáveis da qual alegou desconhecerem o ocorrido.


    ## REUNIÃO DO CONSELHO, 1850 | A dissolução do Conselho
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    Pela primeira vez confesso que assisti um Conselho unido contra um Regente, assim como este dissolver todo um Conselho acusados de traição e conspiração. Um verdadeiro caos estava instalado em Carthagian em 1850. Na mais esperada noite onde Behruz seria julgado e Vrykolakas estivessem maciçamente presentes com seus Bandos e Strigois planejavam depor o Regente, encontrar o Viger Grendel ferido anunciando o desaparecimento de Lothar, foi o maior acontecimento que poderia haver naquele Sarau da noite. Assistir o próprio Hammërstein aproveitando aquele breve momento para conseguir o que tanto almejava despertara admiração e surpresa de muitos, e talvez conseguisse se a Progenitora da Família - e a própria Casa da Áustria, a Monarquia Habsburgo, não se apresentasse fortemente acompanhada naquela noite e assumindo temporariamente a Regência até que todos os últimos acontecimentos não fossem esclarecidos.

    Em meus diários da época percebi o quanto escrevi em memórias sobre o que assisti na Corte, sobretudo acerca de Lothar nos dias que antecediam o atentado que lhe acometeu em sua propriedade - hoje um casarão velho e abandonado, assombrado o suficiente para distanciar não apenas mortais como até os imortais. O castelo da qual residia um herdeiro dos Habsburgo era a mais bela propriedade já construída, hoje entregue às ruínas do tempo. Lembro de quantas vezes estive nos Saraus particulares do duque, mas nada tão memorável quanto a última vez que o assisti, dias antes da tragédia que ainda mancha suas paredes com sangue e pelo fogo que tomara a propriedade dias mais tarde.

    Havia loucura nos olhos de Lothar. O líder a qual todos se curvavam virara um louco, um paranóico da qual Grendel afirmou em uma audiência restrita aos Priscus Hammërstein e Behruz, à Progenitor Nijlan Conolyn e aos Conselheiros. Eu seu relato e registros oficiais afirmara que desde antes da dissolução do Conselho o regente exigia cada vez mais Guardiões cercando sua propriedade, assim como guardas da monarquia. A presença de Grendel e de seus Vigilantes em sua propriedade fora uma ordem do regente para escoltá-lo até St. Davie quando foram atacados por Inqusidores da qual jamais foi confirmado. O que realmente se confirmou foi uma terceira linhagem que somente era conhecido pelos mais Antigos e considerados há muito extintos, chamados de Vlokoslak.


    ## O CONCILLIUM, 1850 | A Apresentação dos Vlokoslak à Corte
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    Inocentes. Esta foia resposta daquele que a Ordem dos Vlokoslak chamavam de líder. Apresentados por Zoltan Draconnier, atual Priscus dos Strigoi, apresentaram-se diante de toda a Corte buscando o reconhecimento da Família. Segundo as palavras de Cèbrian naquela noite mediante o Conselho e da própria Progenitor, Lothar tinha conhecimento desta Linhagem após um encontro na Sérvia alguns anos antes. Se bem me lembro, Lothar convocara aquele Concillium que jamais ocorreu com algo a ser enunciado. Seria os Vlokoslak? É o que me perguntei naquela noite pouco antes das palavras daquele homem de olhos frios e inexpressivos, mas que ainda tenho minhas dúvidas...

    Além do fato de Lothar, três Vrykolakas foram submetidos a um ritual em território Lycan, algo que deixara a Corte numa situação muito delicada com os Lycans por macularem suas terras com algo tão profano.O próprio Cèbrian negou a participação de seus semelhantes à algo tão malévolo, mas não negaram os crimes das quais o tornaram tão temidos e considerados extintos por tantos séculos: Diablerie, o mais temível crime das Leis da Noite. Os Vlokoslak buscaram ao longos desses 155 anos redimidos de crimes de seu passado, auxiliando no que era possível à Corte nas investigações daqueles que infrigiam as Tradições com suas habilidades incomuns no estudo do sangue - e isos incluía membros da sua própria Ordem, da qual alegam haverem aqueles ainda seguirem as velhas Tradições que macularam a linhagem Vlokoslak. Disse Cèbrian de que estarian "cientes dos fatos e da Ordem dedicar-se a caçada daqueles nossos irmãos transgressores das Leis da Noite que regem esta Corte e à Família. Apoiaremos nas investigações submetendo-se às vossas ordens, sejamos ou não aceitos pelos presentes. Traremos pessoalmente aqueles de nossa Linhagem para que sejam punidos mediante a Corte".

    As suas palavras foram cumpridas, mas nem por isso fez com que membros da Corte aceitassem tão facilmente seu reconhecimento na Família, sobretudo os Vrykolakas que jamais descobriram os responsveis pelo sacrifício de três Membros de seu Bando. Com relação aos Strigois, a perda de um líder, ainda que este tenha abdicado a Casta em pró de uma Irmandade de ‘degenerados’, ainda era uma perda tão quanto os três dos Vrykolakas. Em ambos os casos geraram lendas e mitos que apenas tornaram Carthagian ainda mais misteriosa com seu folclore. A propriedade de Lothar é maior prova disso com suas histórias de assombração da qual nem mesmo empreiteiros ousam mais se aproximar. A propriedade que um dia realizou tantas festas registradas no Arquivo Histórico de Carthagian está hoje abandonada e em ruínas, assim como a clareira no vale Verde onde tantos mortais se perdem aventurando-se em conhecer o ‘recanto profano’. Hunf! Que nome mais demodê...

    Senão a ação dos Vlokoslak buscando mais que reconhecimento numa Corte, mas também obter o respeito de seus ‘irmãos’ quanto aos Pecados do passado. Não preciso dizer que nesses primeiros 50 anos a Ordem foi muitíssimo observada por tudo e por todos. Eles são discretos, misteriosos e tão fechados quanto ao seu Primesyls Cèbrian, mas que, ainda assim, mantivera-se aberto para que todos o conhecessem. E nesse trâmite de conhecimento percebi o quão poucos são - não devendo haver nem mesmo uma centena deles em todo o mundo quando Strigois e Vrykolakas existem aos milhares. Conheci e reconheci sempre os mesmos Vlokoslak nas Cortes de Viena, Berlim, Paris, Veneza, Roma... Porém, nada me faz acostumar-se assistir aqueles seus olhos vermelhos. “Herança de nossos pecados do passado”, disse Belasco, o Conselheiro da Ordem na Corte. Urgh!

    Com exceção de divergências políticas, a Corte submeteu-se a uma Pax Romana, um longo tempo de tranquilidade - como desde 1735 até a insanidade que acometeu Lothar. O que posso realmente destacar d efato nesta primeira metade do século XX foi o fim do Império Austríaco dos Habsburgo que realmente influenciou e muito nas Cortes sob domínio da Progenitor Nijlan Conolyn - afinal, ela é a matriarca dos Habsburgo, a própria Casa da Áustria. Por mais que o Império tenha caído e a morte de um herdeiro tenha sido o estopim para uma Grande Guerra, seu nome ainda é respeitado. Nessa fase de guerras européias que se transformaram em conflito mundial, isso transformou também definitivamente Carthagian não mais como uma província - apesar de seu nome ainda adotar esse nome -, mas se tornar uma metrópole altamente industrial.

    Dentre os parâmetros estabelecidos no acordo com os Lycans em 1734, renovados em 1850 com Behruz assumindo a Regência de Carthagian, o Vale Verde seria um território mais pertencente aos Lycans. Ainda que houve concessões quanto ao crescimento da cidade ao longo dos anos, no período entre guerras, e potencialmente na II Guerra Mundial, mais fábricas foram abertas e isso exigiu mais território do Vale Verde. Evidentemente isso chamaria mais e mais pessoas para Carthagian que exigia tomada de mais áreas. A cidade provinciana se tornou metropolitana e bairros foram formados, o antigo e novo se misturaram e antigos conflitos deram início. Embora a Áustria não tenha sido necessariamente um estado comunista, a queda da URSS refletiu mais uma vez na cidade e fez a cidade avançar em mais terrenos do Vale Verde. Se ver em mapas do Arquivo Histórico, verá que os Lycans tem motivos de sobra para protestarem e liderarem movimentos na Questão do Vale Verde.

    O que posso concluir nesse dossiê é que em 155 anos, Carthagian teve altos e baixos. A destruição de Lothar é um mistério para a Corte, um tabu para os Strigois assim como aqueles sacrificados na clareira do território Lycan é para os Vrykolakas. Ainda assim, mesmo que não tenha se feito presente no Concillium convocado e haver dúvidas de uma minoria acerca de Lothar apresentar os Vlokoslak - se havia algum registro em sua propriedade, isso se perdeu no incêndio toda a propriedade - o reconhecimento da Irmandade se realizou e oficializado pela Progenitor na noite em que apresentava o novo Regente - e formado a Coalizão jamais esperada. Assim como os Vlokoslak, a Irmandade possui apenas um representante, e muito bem representado por Klaus von Eckhard que se mostra tão reservado quanto Belasco.

    Em seu aniversário de 275 anos a cidade mergulha em novas intrigas e conspirações, novos mistérios com restos de um vampiro e a volta de Inquisidores, antigos problemas de questões do passado liderada por novos inimigos e uma aliança prestes a se quebrar. Sei que Behruz tem tentado uma aproximação amigável, mas tão logo a queda da URSS ainda tento compreender como e porque Haghen Suhahov tenha adquirido um lugar ao Conselho de Carthagian e isso não tem amenizado a situação. Até mesmo Nikolai tenho visto com mais frequência nos últimos anos... E enquanto existe resistência dentre alguns dos próprios Vrykolakas, dentre alguns Strigoi existe certo apoio por parte de LaFontaine que mais tem interesse pela arte e entretenimento que pelos assuntos políticos propriamente - e não que essa sua ação não impeça de fazer política. Esperto ele...

    Bom, vejamos o que estas próximas noites nos reserva.
    Se vir uma nova guerra que envolva Lycans ou Bastardos ou Inquisidores...
    Talvez seja necessário afiar as unhas e manter o tinteiro próximo.

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    Re: Libru Antiquu

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